Alimente a jornalista / música

Aprendendo novos truques

Você conhece aquele ditado – “a cachorro velho não se ensinam novos truques”. À parte a impropriedade contra os cães idosos (que devem ser excelentes companheiros para quem os tem e os ama), o ser humano parece viver à sombra dessas palavras, como um destino do qual não se foge – é assim para todos nós, então para quê lutar?

Eu me peguei levando essa vidinha “mais ou menos”, cheia de velhos truques (isso me lembra um outro ditado, o do pônei) e achando, conscientemente, que estava tudo bem – era assim que deveria ser. O lado inconsciente – aquele pobre que matamos todo dia um pouco mais -, já meio em coma, ainda teve alguma força para sussurrar no meu ouvido: “essa vida não te satisfaz”.

Comecei a ouvir esse sussurro ouvindo música. Rolava aquele disquinho branco do Ipod e não achava mais nada que me satisfizesse. Eu gosto de (quase) tudo que estava na minha biblioteca musical, mas meu anseio era por algo que eu ainda não conhecia. Queria algo novo, mas não sabia o quê. Até que um feliz encontro com o acaso me abriu uma portinha que eu ainda não tinha visto no lusco-fusco do meu quarto metafísico.

Resumindo, em pouco mais de dois meses consegui matar um pouquinho dessa sede por novidade e, de quebra, ainda ganhei mais uma banda favorita de todos os tempos (e outra que entra fácil no Top 15). Fora o ganho emocional de recuperar o meu prazer em ouvir coisas novas, que eu havia posto de lado ao criar uma enorme resistência ao que se faz atualmente no rock mundial (é o meu estilo preferido, é bom esclarecer logo).

Pensava que, se eu cedesse aos apelos de uma só banda, seria uma vendida, uma traidora do movimento (a experiência de comprar – e depois odiar – o álbum de estreia do Strokes logo após o lançamento me criou um trauma profundo). Mas eu só estava traindo a mim mesma, à garotinha de 15 anos que assistia a todos os programas da MTV (na época em que ainda era um canal de música) e sabia o nome de todas as bandas nos Tops 10 e 20.

Essa garotinha acordou de novo, já à beira dos 30, e não quer recuperar o tempo perdido, porque o tempo não se perdeu. Mas ela não quer mais ser trancada numa portinha escondida, para dar lugar a uma adulta cheia de truques velhos. Essa garotinha de quase 30 conhece alguns novos truques e quer colocá-los em prática.

Então, você aí que está lendo, pode usar a área de comentários para sugerir truques novos, quer dizer, bandas novas para a blogueira que está com os ouvidos (muito) abertos. Quem sabe eu não ganho mais uma banda favorita?

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