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Da importância do isolamento

O ser humano é um ser social. Aliás, acredito que a maioria dos animais que povoa a Terra deva ter uma natureza gregária. Por anos (mas, ainda hoje), vivemos em tribos, nos dividimos em clãs, marcamos nosso pedaço de terra de acordo com crenças e leis que regiam e informavam pensamentos e ações dos indivíduos que faziam parte do todo. É bem provável que eu esteja redondamente enganada (historiadores e filósofos, me acudam), mas penso que a noção atual de indivíduo só tenha começado a tomar forma com o Iluminismo (toda aquela história do “Cogito ergo sum” e por aí vai).
Mas, por mais modernos e prafrentex e avançados e tecnológicos que sejamos, nós ainda mantemos algumas instituições que se orientam por uma lógica comum ao grupo, que delimitam o escopo de nossas decisões e nos levam, diariamente e aos borbotões, às salas de psicologos e psicanalistas, onde tentamos desfazer o emaranhado de noções alheias para encontrar nossa noção própria, nossos próprios códigos de conduta. Onde estaríamos sem essa teia de “eu penso”-s e “eu acho”-s que ouvimos todos os dias e internalizamos e confundimos com o que, de fato, pensamos e achamos?
O que você vê quando um mendigo cruza o seu caminho em uma calçada? Você vê um proscrito da Sociedade ou alguém que se libertou da teia? E quando você está indo trabalhar e entra uma pessoa no ônibus ou no metrô que desata a falar sozinha? É loucura ou é liberdade? Quantas vezes você não quis ser essa pessoa? A pessoa que abriu mão, consciente ou inconscientemente, do superego?
Mas, sendo todos nós seres funcionais (ou tentando ser), essa opção não é válida. É preciso manter um fio de normalidade que conduza nossas atitudes e nos mantenha o mais perto possível daquele quadradinho em que as regras ainda valem e você ainda é parte de um todo coletivo e dominante. O que nos resta então, se a loucura não é possível?
Penso que a resposta está no isolamento periódico da alma – seja por meio de uma meditação transcendental ou de umas porradas em um sparring – e na arte, em qualquer forma ou estilo. A arte é um pouco de loucura, mas ainda é uma loucura funcional, se é que isso é possível. E o isolamento da alma é o que permite a cura ou, pelo menos, a melhora temporária das feridas emocionais e psicológicas.
O isolamento pode nos fazer, ainda, controlar e acalmar a ira. Não dá para matar ou socar todas as pessoas que tiram você do sério. Por mais que isso seja tentador. Eu que o diga.

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