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A difícil arte de crescer

Ela era pequena e não sabia
Tinha planos e sonhos, mas quem não os tinha?
Esperava crescer até conquistar seus desejos
Até sonhar com o que ainda era invisível
Mas mal sabia
Que tinha que crescer
Apenas para aprender a sonhar
Com o que era possível

Ficou presa no esforço de crescer
Seus braços soltos se embolaram
No desejo de partir
Seu corpo todo dizia, ‘deixe-me ir’
Mas seu sonho, tão imaculado
Tirou-lhe o ímpeto de fugir
Criou uma prisão em seu caminho

Sem cordas, sem tranças
Sem príncipe ou salvador
Sua ruína parecia estar perto
Preferiu ceder ao pânico
Amigo eterno em sua vida

Acordou um dia empapada de suor
Seu pescoço, endurecido, não a deixava olhar para trás
Foi obrigada a ver o que não queria
Que sua vida não era um jogo para apostadores
Que sua opção não poderia ser só a fuga
Que correr não era uma saída

Enxergou como se nunca houvera antes
Compreendeu como se nunca soubera
Sua vida não era um jogo de sorte
Seu destino não era uma rifa de valores
Seus olhos estavam exaustos e seu corpo pedia
Preso em um nó
Que sua mente o deixasse partir

Entendeu que a vida que vivia
Era só para si
E que isso já bastava para ser infeliz
Crescer era seu problema
Seus ossos não tinham para onde expandir
Sua casa, pequena
Já não cabia mais dentro de si

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