Alimente a jornalista / Conteúdo

A importância de pegar leve

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Desde que eu saí do meu antigo emprego e me tornei freelancer (o que foi há pouco menos de quatro meses), embarquei em um ritmo de trabalho assustador. Explico: não demorou uma semana para a primeira oportunidade de trabalho surgir. Depois dela, vieram outras, e eu passei os últimos meses equilibrando pratos metafóricos de trabalho e estudo (estou fazendo mestrado atualmente). Não tem sido fácil, e eu sonho acordada com o dia em que terei menos horas de trabalho e mais horas de estudo/descanso/lazer/sono/preguiça.

Ainda estou fazendo certas mágicas com o meu tempo para dar conta de tudo, mas isso tudo me ensinou algumas coisas sobre limites e a importância de encontrar um ritmo próprio e saber respeita-lo:

Saber relaxar: eu me considero uma pessoa perfeccionista no campo profissional, e tendo a me exigir mais do que deveria em algumas circunstâncias. Eu sempre me esforço para fazer o melhor que eu posso, e frequentemente vou além do que me é pedido, porque só assim eu me satisfaço com o meu trabalho. Às vezes, porém, é importante aceitar que existe um limite, e respeitar isso é importante, para evitar desgastes desnecessários (e um cansaço monstro no fim do dia). Eu continuo dando o meu melhor em tudo, mas agora consigo perceber quando estou indo além do que eu realmente posso fazer e aceito isso.

Saber dizer não: essa é a lição mais difícil de aprender, a meu ver. Quem gosta de dizer não a alguém? Eu certamente não gosto, ainda mais quando se trata de uma oportunidade de expandir meus horizontes profissionais. Mas, o que é melhor? Aceitar todas as oportunidades e não dar conta de nenhuma, ou dizer alguns “nãos” e conseguir entregar um belo trabalho para todos os clientes?

Saber se programar: aqui, o essencial, a meu ver, é saber trabalhar com um horizonte de curto a médio prazo e saber onde você quer estar, e o que quer fazer, em um futuro próximo. Uma agenda é uma mão na roda, porque você consegue visualizar o tempo na forma dos meses que você tem pela frente, e planejar como vai alocar seu tempo em relação às tarefas que precisa cumprir. Planejamento é tudo quando se é freelancer; um quadro branco com os prazos a serem cumpridos, em ordem temporal, ajuda a não perder o foco.

Saber administrar bem o tempo: também é uma das lições mais difíceis de se aprender. Ninguém faz uma coisa só ao longo de 24 horas. Entre dormir, comer, trabalhar e estudar, um dia inteiro vai embora e pode ficar a sensação de que pouco foi feito. Para quem ainda tenta ter uma vida social, e para quem tem parceiros(as)/maridos/esposas/namorados(as), também é preciso colocar na conta o tempo que passamos com as pessoas que amamos. Percebi que é muito importante respeitar o tempo dedicado a cada uma dessas coisas, pois nada é mais ou menos importante – tudo merece a mesma dose de dedicação.

E a maior lição que aprendi nesses quase quatro meses é que é preciso aceitar que não dá para abraçar o mundo com as pernas. Não dá para aceitar todos os jobs, não dá para ir a todas as festas, não dá para ler todos os livros em tempo recorde e não dá para dormir pouco todas as noites. Reconhecer os limites e saber fazer o melhor dentro deles nos torna mais humildes, e também mais sábios.

 

(Foto: Praia artificial à beira do Rio Spree – Berlim. Google Images.)

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