Alimente a jornalista / Conteúdo

O embuste da nova criatividade

Não se assustem com o termo “embuste” no título deste post. Ele está ali para nos lembrar que existe uma linha muito tênue entre um discurso verdadeiramente inovador, que promova mudanças reais, e as falácias propagandísticas de cada dia.

Tenho refletido muito nos últimos dias sobre essa onda de gurus que surgem vendendo a ideia de que um novo estilo de vida é possível, que podemos nos livrar das amarras do mercado, da sociedade, do consumo, e sermos quem realmente devemos ser. Enquanto alguns são realmente verdadeiros e honestos em sua abordagem e guiam seus seguidores pelo exemplo (como o fazem Leo Babauta, do blog Zen Habits, os minimalistas Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, e Natalie Sisson, do site Suitcase Entrepreneur, só para citar alguns), outros parecem surfar na onda de uma nova forma de criatividade e apelar para um desejo mais básico por liberdade que mora em cada um de nós.

Quando falo em “gurus” não estou me referindo apenas a “autores” de blogs e criadores de sites que prometem a solução de todos os problemas do homem contemporâneo. Também incluo aí empresas que vendem um discurso muito bonito e correto, que insistem que seu propósito é criar, buscar, propagar ou, pior ainda, “entregar” valor para seu público e/ou seus clientes. Lendo hoje um texto sobre um expoente dessa seara, peguei-me perguntando “o que diabos essa pessoa faz, afinal?”. Um punhado de palavras bonitas e um discurso um tanto quanto revolucionário escondem o fato de que, ao fim e ao cabo, tudo o que o tal sujeito – e tantos outros como ele – vende são ideias. E ideias podem nem sempre ser honestas ou, de fato, se concretizarem. Ideias podem ser embustes.

Nós, brasileiros e sofredores, acompanhamos nos últimos anos o que significa “vender ideias” que se revelam uma bolha cheia de ar e zero conteúdo (acho que não preciso citar nomes). Mas não são apenas megaempresários e negócios bilionários que podem se revelar grandes fraudes. Pequenas ideias, ou empresas de médio porte (porém, de grande alcance) do setor criativo também podem nos levar ao engano. Blogueiros aparentemente bem intencionados também podem estar apenas reproduzindo alguma versão virtual, web 3.0 dos esquemas de pirâmide.

Como separar então o joio do trigo? Como saber quem realmente está “entregando valor”? É difícil responder a essa pergunta, pois é preciso uma boa dose de “feeling” para perceber onde está o embuste e onde está a verdade. Eu sempre desconfio de discursos vagos, que usam palavras de significado pouco instrutivo, e de pessoas que não são claras sobre o que fazem, como fizeram para chegar lá e qual valor elas de fato “entregam”. Mas esse é o meu modo de saber se estou sendo enganada ou não. Cada um tem o seu.

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